Quase um ano depois, decido publicar este diário de viagem... Estava aqui guardado (e incompleto), e como foi uma experiência que me marcou, e muito, e que tenho vontade de repetir (num outro formato, está claro), decidi que já era merecido...
Em Março de 2008 resolvi tirar o curso de mergulho. Considero que uma Bióloga, que ainda por cima é vidrada para a área marinha e está a tirar um Mestrado em Estudos Integrados do Oceanos tem que ter o curso de mergulho. Portanto fiz-me à vidinha (hehe).
Este curso era um sonho adiado que, finalmente, consegui materializar… E ainda bem que o fiz, porque descobri uma das paixões da minha vida! A sensação de estar rodeada de água… apenas ouvimos o som da nossa própria respiração… e todo o mundo passa por nós, veloz… A tranquilidade e a calma que consigo experienciar debaixo de água, em nada se assemelham a algum estado que tenha vivido com os pés bem assentes na terra! Por estranho que possa parecer a sensação de liberdade é também infinita…
Uma das grandes oportunidades surgiu em Outubro, fui convidada por uma prima que partilha esta paixão, para umas férias de mergulho no Mar Vermelho… Fiquei radiante com a ideia!
Em Março de 2008 resolvi tirar o curso de mergulho. Considero que uma Bióloga, que ainda por cima é vidrada para a área marinha e está a tirar um Mestrado em Estudos Integrados do Oceanos tem que ter o curso de mergulho. Portanto fiz-me à vidinha (hehe).
Este curso era um sonho adiado que, finalmente, consegui materializar… E ainda bem que o fiz, porque descobri uma das paixões da minha vida! A sensação de estar rodeada de água… apenas ouvimos o som da nossa própria respiração… e todo o mundo passa por nós, veloz… A tranquilidade e a calma que consigo experienciar debaixo de água, em nada se assemelham a algum estado que tenha vivido com os pés bem assentes na terra! Por estranho que possa parecer a sensação de liberdade é também infinita…
Uma das grandes oportunidades surgiu em Outubro, fui convidada por uma prima que partilha esta paixão, para umas férias de mergulho no Mar Vermelho… Fiquei radiante com a ideia!
Assim, no dia 8 de Outubro saímos de Lisboa rumo a Sharm-el-Sheikh (na província do Sinai), para uma semana de férias inesquecível. Sendo uma novata no assunto estava nervosa e também super excitada (tanto que a noite anterior à partida ficou em claro).
Quando chegamos a Sharm-el-sheikh, depois de umas boas 12 horas de viagem (5 das quais passadas no aeroporto do Cairo), fomos dar uma volta pela cidade… É um local exclusivamente turístico e que não tem grande interesse (a meu ver não tem mesmo qualquer interesse, quem paga um balúrdio por uma viagem para ir passar uma semana a Sharm-el-Sheikh ficava igualmente servido com umas férias económicas no Algarve, mas adiante). Se não fossem as experiências fantásticas que tive debaixo de água nada salvaria estas férias!
No dia seguinte acordei impaciente, era o primeiro dia de mergulhos, que ficou reservado para mergulhos locais, junto à costa de Sharm-el-Sheikh. Fiz dois mergulhos (o primeiro em Fiddle Garden e o segundo em Near Garden) e, automaticamente, fiquei apaixonada por aqueles fundos… A fauna e flora que ali encontrei em nada se assemelham à que existe na costa portuguesa. A sensação que tive deve ter sido próxima da dos meus pais quando finalmente compraram um televisor a cores lá para casa!! Tudo era colorido… Neste dia travei, também, conhecimento com algumas criaturas que já conhecia de fotografias mas pensava que nunca iria conhecer pessoalmente, o crocodile fish, o scorpion fish e o lion fish. No final do primeiro dia o entusiasmo não tinha diminuído…. Nadinha…
O segundo dia prometia… Era o dia do meu primeiro mergulho em naufrágios! Ia mergulhar no Dunraven, mas antes iria fazer um dos mergulhos que está no top 10 dos melhores mergulhos do mundo, o mergulho do Shark and Yolanda reef. Os recifes Shark e Yolanda situam-se dentro da área do Parque Nacional de Ras Mohamed.
Ras Mohamed é uma reserva marinha situada na ponta do triângulo de Sinai, e foi o primeiro parque Nacional declarado pelo governo egípcio em 1983, inicialmente compreendia uma área de apenas 97 km2, mas foi alargado a uma área marinha em 1989 ocupando actualmente uma área de 480 km2. O mergulho em Shark and Yolanda reef foi fantástico. Junto a estes recifes naufragou um barco que transportava um carregamento de louças de casa-de-banho, apesar do casco do barco não ser visível (por estar a maior profundidade), durante o mergulho passamos por um “mar” de sanitas, lavatórios e banheiras, que neste momento são já verdadeiros recifes artificiais completamente colonizados por corais e esponjas. Neste mergulho vi as primeiras raias pintadas e os primeiros “nemos”, mega territoriais com as suas anémonas (hehe), também apareceram umas moreias (1 delas vivia numa “casa” peculiar, uma sanita).
De tarde tive a minha primeira experiência de mergulho num naufrágio, o “Dunraven”. O mergulho em naufrágio foi uma experiência totalmente diferente do que esperava. O “Dunraven” era um navio da marinha mercante Britânica, foi construído em 1873 e afundou a 22 de Abril de 1876, do navio resta apenas o casco (virado ao contrário) e a hélice, mas todo o recife em seu torno se encontra cheia de vida. A entrada no navio foi também uma sensação fantástica, as bolsas de ar parecem espelhos, a diferença de luz, as sombras…
No final da tarde ainda tive direito a uma visita inesperada… Golfinhos-roazes a passear bem perto do barco (só tive pena de não estar lá em baixo).
Estava bastante animada no começo do terceiro dia, o destino era o estreito de Tiran. Estavam programados dois mergulhos em recifes, o primeiro em Gordon reef e o segundo em Thomas reef. O dia tinha tudo para ser fantástico, mas o facto que estarem mais uns 100 barcos em volta destes recifes, fez do dia um dia pouco memorável. Toda a paz e tranquilidade que o mergulho transmite ficaram comprometidas pelo barulho de uns 90 motores e pelos 600 mergulhadores que estavam lá em baixo. Parecia Lisboa em hora de ponta (hehe). Até houve uma tartaruga que não consegui ver por entre a multidão! Para salvar o dia ficou a recordação de uma raia gigantesca a nadar mesmo acima de nós. No final do dia estava decidido que não iríamos regressar a Tiran.
No quarto dia fomos de novo mergulhar para a zona do Parque Natural de Ras Mohamed. Foram dois bons mergulhos, apesar da visibilidade estar um pouco mais reduzida. Voltei a mergulhar em Shark and Yolanda Reef, que decididamente é um local de mergulho fantástico. Mas o entusiasmo no final do dia era enorme. O dia seguinte reservava-me uma experiencia que me deixava ansiosa, mergulhar no SS Thitslegorm.
No último dia de mergulho, levantámo-nos às 4h da manhã (a excitação era tanta que quase não tinha sono), o programa era aliciante e a viagem era longa. Viajámos durante cerca de 4h de barco até ao local de naufrágio do SS Thistlegorm, um navio de carga Inglês que foi afundado pelos Alemães durante a Segunda Guerra Mundial. Este é um naufrágio à séria… Com toda a imponência e carga que m naufrágio deve ter! A primeira descida foi para percorrer o navio por fora, e na segunda tivemos direito a penetrar no seu interior. A sensação é absolutamente indescritível… Estava nas nuvens. O navio tem, no seu interior, grande parte da carga que trazia (mantimentos para as tropas inglesas), motas com side-car, partes de um comboio, partes de um avião, munições, Camiões…
Para completar este dia ainda tive direito a um mergulho final no Parque de Ras Mohamed onde, pela primeira vez, levei a máquina de filmar e tive a sorte de ver uma tartaruga verde (já andava desgostosa por ter perdido a tartaruga).
No final das férias estava com as baterias completamente carregadas… e com uma ideia fixa… a próxima viagem será para ver TUBARÕES…

2 comentários:
Gostei de ler, também gostava de aprender, mas não à t€mpo para tudo.
BeIjo***
Mana linda! Adorei ler estas tuas aventuras, quase que parece um filme. Consegui sentir a tua felicidade ao ler estas palavras, como se estivesse aí ctg... É incrível! Fiquei com inveja pk nunca tive oportunidade pra mergulhar com um nemo nem com a tartaruga verde, lol. Quanto aos tubarões... Nhhhhhhhhaaaaaaa, esuquece lá isso.
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